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terça-feira, 14 de junho de 2011

Ponta Negra: a praia é nossa mas a cotação é em dólar

Domingo de sol, dia limpo e claro, e o natalense logo é tentado a ir refrescar-se no mar. Neste instante, Ponta Negra torna-se a opção mais viável por fazer parte do centro urbano. No entanto, quando o cidadão chega a areia não reconhece mais a Ponta Negra do seu tempo de criança. O que causa inquietação não é somente a mudança na paisagem. Hoje em dia podemos dizer que temos uma melhor infraestrutura – apesar de não ser a ideal – todavia a praia parece ter sido embalada e posta à venda.
Ponta Negra não é um espaço para turista ver, mas principalmente para turista ter. Os anúncios são muitos e em vários idiomas: inglês, espanhol, italiano. Até o Pelé convida o turista a consumir, não o que é daqui mas consumir o aqui: a nossa terra.
O lucro almejado pelas construtoras e imobiliárias influencia também o preço da nossa água de côco de cada dia. Antes da inflação pontanegrística podia-se apreciar o líquido por cinqüenta centavos mas agora a areia está valorizada e passamos a pagar seis vezes mais. Cada quilômetro quadrado é um flash e um estorvo no bolso do potiguar.
Nós, natalenses, não somos contrários à vinda de turistas a Natal, apenas queremos voltar a passear por Ponta Negra sem tomar um susto ou levantar as duas mãos sempre que for necessário consumir algo na praia. Daqui a algum tempo, iremos preferir banhos de mangueira no jardim de casa...

Um shopping para cada estilo: qual é o seu?

Hoje em dia, ao caminharmos pela capital potiguar, nos deparamos com um shopping em cada canto da cidade. Tem shopping que atende ao público praiano, outro que se destaca pelo tamanho e diversidade de lojas, tem também aquele em que os produtos são mais baratos em virtude de não ter ar condicionado nem o glamour dos grandes estabelecimentos.
Lembro-me que na década de 90, quando eu era criança, só havia um shopping em Natal. O espaço, o Natal Shopping, era um dos points da cidade, pois lá funcionava o principal cinema (o outro era o Cine Rio Grande, prestes a fechar as portas). No Natal Shopping, os jovens marcavam encontros e as turmas se reuniam, podemos dizer que este espaço era mais que um simples local para fazer compras. Naquele tempo, em meados da década de 90, nem passarela havia em frente ao shopping (o que dificultava o acesso ao mesmo). O Via Direta ainda não existia, no local funcionava apenas uma fábrica de tecidos.
O boom dos shoppings centers em nossa cidade ocorreu nos anos 2000 e, talvez em virtude da ampliação do público e de suas exigências é que nasceram os shoppings com “perfis exclusivos”. Atualmente existem shoppings específicos para cada consumidor. Com a inauguração do Midway notamos que a distinção do público que frequenta os shoppings ficou ainda mais evidente. Este shopping é um espaço para consumidores e frequentadores heterogêneos: por ele transitam tanto jovens pertencentes a diversas “tribos” quanto as tradicionais famílias, com crianças e idosos. O espaço atrai pessoas diferentes em virtude das múltiplas lojas, que vão desde as populares (localizadas no térreo) até as mais sofisticadas no segundo piso. O shopping oferece ainda mais um diferencial: o teatro. Este novo espaço cultural da cidade agrega um público distinto, geralmente com uma maior renda e disposto a pagar um preço razoável por diversão e lazer.
Em se tratando de praticidade e informalidade, temos o Praia Shopping, um espaço onde as pessoas que frequentam vão mais despojadas. Saem da praia e param para um almoço ou para realizar alguma transação financeira.
Hoje, percebemos que o primeiro shopping da cidade, o Natal Shopping, foi reformulado para melhor atender o seu principal público: a classe média alta. Este espaço foi adaptado às exigências dos frequentadores e hoje conta com uma maior e mais charmosa praça de alimentação, serviços bancários, livraria e cafés. O shopping possui praticamente todos os serviços que os consumidores precisam, estes são principalmente adultos que trabalham fora e não tem tempo a perder.
Diante de algumas das muitas opções de shoppings de Natal, percebemos que estes espaços são muito mais do que meros locais para consumo, são também espaços que refletem as mudanças pelas quais a cidade passa. Os consumidores e suas exigências refletem um novo tempo, um tempo em que o novo sempre chama mais a atenção.